Um FNM de respeito

O relato abaixo foi enviado por Róbert P. Stammer, ocorrido no estado de Santa Catarina.

 

 

 

No ano de 1998, carreguei o meu FNM-180 com fardos de algodão em Jataizinho, no norte do Paraná, com destino a Brusque – SC. Chegando lá, entreguei a carga numa malharia e segui vazio para Itajaí, a fim de procurar outra carga.

 

Em Itajaí encostei em uma central de fretes e fiquei aguardando. Passadas algumas horas, “saiu” uma carga de embalagens de papel para Curitiba, carga “filèzinho” (leve e com frete razoável), e ainda por cima para minha cidade;  animado, peguei a ordem para carregar e segui para a fábrica “IGARAS”.

 

Lá chegando, entreguei a ordem na portaria, onde pediram para eu aguardar. Passados alguns minutos, o encarregado da portaria retornou e disse que sentia muito, mas eu não poderia carregar, pois havia uma circular da empresa que não mais permitia carregar caminhões Alfa Romeo. Insisti, falei que o caminhão estava em boas condições gerais, ‘bem calçado’, pedi para o responsável dar uma olhada nele, mas não teve jeito.

 

Arrasado, retornei para a central de fretes para tentar alguma outra carga. Os colegas motoristas que lá estavam acharam um absurdo o que tinha acontecido comigo e foram muito solidários, inclusive tentando arrumar outra carga para mim.

 

Estava sentado ao lado do Alfa quando encostou um carrão, desceu um senhor simpático e olhou demoradamente o caminhão.

 

“- Bonito FNM o seu, parabéns” – disse.

 

Agradeci o elogio e respondi que, embora o Alfa estivesse “em pé”, isso de nada adiantava, e contei o acontecido na fábrica de embalagens. “- Isto é um absurdo, o seu caminhão está em condições de carregar para qualquer lugar, e ainda mais para Curitiba, que é tão próximo!  Aguarde aí, que você vai carregar sim.”  Entrou no carro e partiu. Fiquei meio desconfiado:  quem seria essa pessoa, será que estava gozando da minha cara ou do meu Alfa, ou estaria realmente disposto a me ajudar?

 

Passado pouco tempo, vieram me avisar para voltar à fábrica para carregar! Antes de sair, perguntei ao pessoal quem era essa pessoa que me ajudou e eles me informaram tratar-se de um dos donos da grande transportadora DALCÓQUIO.

 

Entrei na fábrica cheio de moral e o Alfa roncou bonito lá dentro;  carregaram o caminhão e ainda elogiaram o bom estado dele – provavelmente, seria ele o último FNM a operar lá.

 

Como era esperado, entreguei sem problemas a carga na “Britania” em São José dos Pinhais (região metropolitana de Curitiba) e fui feliz para casa. Desde então, cada vez que cruzo por aí com um caminhão da DALÇOQUIO, me lembro desta passagem e da atenção que recebi de um de seus dirigentes. Algumas empresas são grandes porque os seus donos também o são.

 

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