Minha história com o FNM 180.

Minha história com o FNM 180

Enviada por: Humberto Liber. São Roque, São Paulo.

 

Igual a muitos companheiros e colaboradores aqui do site para mim os Alfas fazem parte da historia da minha família. Meu pai foi dono de transportadora de 1956 a 1984, quando se aposentou e não quis mais saber de ‘dor de cabeça’, como ele falava.
O meu convívio com os caminhões do meu pai, uma frota respeitável de 26 caminhões e jamantas, foi escasso, pois ele vendeu a transportadora e se aposentou quando eu ainda era bem jovem. Contudo me lembro bem de como era a transportadora e os caminhões de que eu gostava mais.
Sempre preferi os caminhões maiores, nunca fui muito ligado nos médios, com o passar dos anos, em conversas com o meu pai percebi que os favoritos dele eram os MB312, vulgos ‘bicudinhos’, mas para mim a Jacaré, a 1520 cara chata com roda raiada e os FNM’s eram os favoritos. Quando meu pai se aposentou ele decidiu construir uma chácara e achou que seria útil guardar um caminhão. De todos que ele tinha ele decidiu ficar com um MB1113 1974 toco, ele dizia que não precisava mais do que aquilo, ‘para que um caminhão muito grande? ‘ele replicava quando eu falava porque não guardou um Alfa?
Gostaria de contar uma pequena aventura que passamos na rua Curuça,Vila Maria, São Paulo, onde ficava a transportadora de meu pai, a Liderança. O ano era 1976, meu pai havia comprado 4 caminhões Chevrolet D60 e D75 na Pompéia veículos, bairro onde morávamos, para fazer entregas dentro de São Paulo e fazer a linha São Paulo – Rio, com os D75 trucados.
Pois bem, era sábado, dia religioso para cada motorista lavar seu caminhão, especialmente os de entregas. Devido ao numero grande de caminhões, alguns estavam estacionados na rua, um vizinho nosso de uma outra transportadora grande teve a infelicidade de seu funcionário ao manobrar bater seu caminhão, um Mercedes 321 em um dos nossos chevrolets, de fato o dano foi muito pequeno, praticamente apenas o capuz foi atingido.
Meu pai foi chamado no escritório, que ficava a uma quadra da garagem e a discussão começou entre ele e o gerente da transportadora vizinha. O problema é que meu saudoso pai quando colocava uma coisa na cabeça tinha de ser do jeito dele! E nessa situação não foi diferente. Meu pai disse categoricamente que queria um capo novo para o caminhão, enquanto o gerente da transportadora dizia que mandaria fazer a funilaria na oficina deles.
A conversa não chegou a um acordo, os ânimos se aqueceram e o rapaz finalizou dizendo: ‘o senhor é quem sabe, ou é assim ou então não pagamos nada’, meu pai, muito mais louco do que o rapaz poderia imaginar resolveu do jeito dele o caso, dizendo para o ajudante da garagem: ‘joao, pega o FNM que ta na ponta da fila e volta de ré de uma vez, arrebenta esse Mercedes deles!’ dito e feito, o joao subiu no D11 branco 71 e começou a voltar na curuça, meu pai assobiou para ele parar e perguntou ao rapaz: ‘tem certeza que o capo não vai ficar mais barato’, nessa altura o rapaz já estava branco mas não respondeu nada, meu pai voltou a assobiar e disse: ‘vem de uma vez!’. Quando o rapaz viu a traseira do FNM chegando perto e seu típico ronco de um monstro faminto ele disse: ‘pelo amor de d. nem que eu tenha que pagar do bolso pára! senão eu sou mandado embora!’. Não quero animar nenhum leitor a repetir esse tipo de façanha, mas só contei isso para dizer a frase que finalizou esse episodio: ‘viu como com o FNM a gente convenceu ele rapidinho!’
Imaginem para mim, como essas coisas ficaram marcadas, tirando a parte um pouco violenta em excesso da historia, eu terminei por ficar com a vontade de um dia ter meu FNM, mesmo que não fosse para o trabalho, só para dar um passeio.
Esse dia finalmente chegou esse ano, quando fui a oficina de funilaria de um grande amigo meu para ele me dar o orçamento para reformar uma caminhonete minha e ele comentou: ‘você que gosta de FNM tem um para vender aqui perto, mas tá detonado’. Na hora senti uma emoção muito grande só em pensar na chance de comprar esse FNM, fui ver o bicho!
Era um bairro periférico meio afastado, mas eu já conhecia o lugar, quando cheguei lá vi o caminhão, jogado no meio do mato, muito, mas muito judiado. Perguntei para alguém que passava onde morava o dono do caminhão e ele logo respondeu, ‘é ali na esquina, mas esse caminhão não anda mais não’, acredito que ele pensou que eu queria contratar um frete ou algo assim. Bati na casa, e apareceu o homem, perguntei do alfa e ele disse: ‘vendo!’realmente estava louco para vender! Negociamos um pouco o preço e finalizei: ‘vou ter um compromisso agora, volto as 14.00, se o caminhão estiver funcionando e em condições de rodar até minha casa compro hoje!’.
Dito e feito, voltei as 14.00 com meu querido amigo Vicente, pois eu ia levar aquele fnm na unha e meu amigo levaria meu carro, o caminhão estava funcionando, sem bateria e sem freio! O freio logo resolvi o problema, dei uma volta no quarteirão e percebi que se eu olhasse muito terminaria não comprando, porque cada canto do caminhão eu achava 30 coisas para fazer! Paguei o combinado e fui para a casa com o danado! Meu sorriso ia de orelha a orelha, alegria total! Não preciso nem falar que minha mulher não ficou tão animada assim…!
Alguns dias depois comecei a por na ponta do lapiz o que teria de fazer para o meu 180 1975 ficar original, pois é assim que gosto. Comecei a ficar louco! Agora já estou mais calmo, determinei os passos a seguir de acordo com meu bolso!

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